Dieta paleolítica cardápio

Dieta Paleolítica cardápio conheça os prós e contras do método para emagrecer

Jejum prolongado, carne à vontade e zero carboidrato são alguns dos pilares da dieta

 

Dieta paleolítica cardápio

Há mais de 15 mil anos nossos ancestrais viviam em cavernas, não tinham cozinhas nem supermercados e obtinham sua comida principalmente da caça e coleta, ou seja, a alimentação era muito diferente da que temos hoje, com massas, produtos industrializados e uma infinidade de opções. Mas qual seria sua reação se alguém lhe dissesse que o melhor para sua saúde é voltar àquele estilo de vida do período Paleolítico?

Na verdade, isso foi feito pelo biólogo e ex-atleta norte-americano Mark Sisson. Ele prega um estilo de vida da Idade da Pedra, que inclui não só mudanças na dieta, como também no dia a dia, insistindo para as pessoas trabalharem em pé, se movimentarem mais e até mesmo andarem descalças por aí. Mas o que caiu mesmo na boca do povo foi a alimentação, e a chamada dieta paleolítica está sendo adotada por muitas pessoas com promessas de emagrecimento e também de um estilo de vida mais saudável e considerado naturalista. E o atrativo principal está justamente em seu lado mais inusitado, ao pregar jejum prolongado, o consumo de carne à vontade e a restrição de carboidratos no maior estilo homem das cavernas. Desvendamos, com ajuda de especialistas, os pilares desse cardápio e quais os prós e contras de cada um deles. Confira:

 Dieta paleolítica cardápio

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Carne à vontade

A carne proveniente de todos os tipos de animais era a base da alimentação no período Paleolítico, e de acordo com Sisson ela deve voltar a ter esse mesmo papel. Realmente, o consumo adequado delas é importante. “Elas são fontes de proteínas, nutrientes de extrema importância na nossa alimentação uma vez que fazem parte da composição muscular e recuperação dos tecidos, além de ser substrato para produção de hormônios, enzimas, anticorpos e outros agentes metabólicos”, considera a nutricionista Paula Crook, da PB Consultoria em Nutrição. E é nas carnes que estão concentradas as maiores quantidade de aminoácidos essenciais, aqueles que não produzimos naturalmente em nosso organismo.

Por outro lado, é preciso tomar cuidado com esse “à vontade”. Proteínas em excesso podem causar efeitos colaterais, como a retirada do cálcio dos ossos, a acidificação do sangue e uma sobrecarga nos rins. O limite indicado pela OMS é o consumo de no máximo 30% das nossas calorias diárias corresponder à proteína. Uma conta mais fácil de adotar é consumir ao dia dois gramas de proteínas a cada quilo que você pese. Por exemplo, se você pesa 60 quilos, deve consumir 120 gramas desse macronutriente. E vale lembrar que a quantidade de proteína não equivale ao peso total do alimento. Um bife de contrafilé de 100 gramas possui 30 gramas do nutriente, por exemplo.

Além disso, é preciso tomar cuidado com a carne escolhida. “Os peixes são ótimas escolhas, por terem gorduras importantes para o nosso corpo, já as carnes vermelhas tem um índice alto de gordura saturada, dependendo do corte, e estudos relacionam seu consumo com o aumento da incidência de câncer”, alerta o nutrólogo Roberto Navarro, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

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Nada de grãos e massas

Como não havia cozinha na época e os homens ainda não plantavam trigo, milho, arroz, por exemplo, que dirá moíam e misturavam grãos no período paleolítico, as massas não existiam e, portanto, são naturalmente excluídas da dieta. Por isso, as fontes de carboidratos se tornam as naturais, o que o nutrólogo Roberto Navarro considera uma vantagem. “Isso é bem mais interessante para a saúde, pois as fontes de carboidratos se tornam os legumes, verduras e frutas, que nos trazem a quantidade que precisamos desse macronutriente e uma boa quantidade de fibras, tendo um menor índice glicêmico do que as massas”, explica o especialista.

Além disso, os carboidratos em alta podem atrapalhar o emagrecimento de diversas maneiras. Eles se convertem em glicose na digestão, que dá energia ao nosso corpo e é levada às células pela insulina. Quando a glicose está sobrando, ela é convertida em triglicérides, uma energia armazenada para mais tarde, mas que se não usada, se acumula na forma de gordura localizada, os famigerados “pneuzinhos”. “Pesquisas mostram que a insulina também inibe a quebra da gordura dos adipócitos (lipólise), causando aumento de peso”, explica a nutricionista Paula. Portanto essa é uma boa ideia para ser aplicada, desde que de forma correta, aumentando bastante o consumo de frutas e verduras para compensar, afinal a falta de carboidrato pode causar náuseas, dores de cabeça, tonturas e fraqueza.

Abusar dos vegetais e frutas

E já que eles são a principal fonte de carboidratos nessa dieta, vale sim seguir essa recomendação e encher o prato com frutas e verduras, inclusive para equilibrar o seu consumo com as carnes. Mas fique de olho para não cometer abusos, seguindo esse pilar à risca demais: “a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de no mínimo cinco porções (400g) de ambos os itens ao dia”, ensina Paula. As frutas são mais perigosas, pois acabam sendo mais calóricas do que os vegetais. E os especialistas indicam o consumo cru desses alimentos, pois assim eles conservam suas propriedades e suas fibras, ajudando na saciedade e consequentemente causando a perda de peso pela menor ingestão de alimentos.

Vale lembrar que alguns desses alimentos têm mais carboidratos do que outros e fora desta dieta é preciso tomar cuidado com essa ingestão. Entre as frutas, as com maior quantidade deste nutriente são a banana, abacate, melancia, melão e coco. No caso dos vegetais, podemos listar batata, cebolas, pimentão e abóbora. É importante equilibrá-las com os outros tipos de alimentos com menos carboidratos, não só para garantir uma quantidade que não seja exagerada desse nutriente como também para variar a quantidade de fitoquímicos e outras substâncias importantes para a saúde que são consumidas no nosso dia a dia. “Se você come até 30 alimentos diferentes por dia, garante uma oferta maior de nutrientes, por isso é bom comer frutas e vegetais variados”, explica o nutrólogo Navarro.

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Não se preocupar com as gorduras

Na Idade da Pedra, ninguém estava muito preocupado com o tipo de gordura que estava sendo ingerido. E esses itens realmente são importantes para o organismo, por isso elas não devem ser cortadas totalmente da dieta. Mas trazer esse tipo de comportamento para os dias de hoje, como prega Mark Sisson, liga a luz vermelha de alerta de nossos especialistas. “A OMS preconiza que o consumo total de gorduras não ultrapasse 30% das calorias diárias, sendo no máximo 10% de saturada”, frisa a nutricionista Paula.

Entre elas, as gorduras mais importantes são as insaturadas, que trazem o efeito de reduzir o colesterol LDL, considerado ruim quando em grande quantidade, além de aumentar o HDL, conhecido como colesterol bom. “Temos basicamente as gorduras animais e vegetais, e precisamos equilibrar o consumo das gorduras monoinsaturadas (encontrada no azeite de oliva, castanhas e nos peixes), as poli-insaturadas (cuja principal fonte nessa dieta são os peixes) e a saturada (presente nas carnes). As últimas estão relacionadas ao aumento do colesterol, o que pode causar problemas cardiovasculares”, divide o nutrólogo Navarro. Por isso, se a ideia é comer como nossos ancestrais, é mais garantido sim ficar de olho nas gorduras e priorizar o consumo de peixes, principalmente os de águas profundas como sardinha, atum e bacalhau, e de oleaginosas, como castanhas, nozes, pistache, amêndoas e amendoim.

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Água e nada mais!

O Período Paleolítico foi a época em que os primeiros utensílios foram criados, e nenhum deles ajudava na cozinha. Portanto, a bebida principal era a água, a forma realmente mais natural de hidratação. Consumir apenas esse líquido não tem desvantagens segundo os especialistas, a maior dificuldade talvez seja gustativa, já que a água não tem sabor. Mas apenas ela já é o suficiente para a hidratação do nosso organismo, que precisa da água para diversas funções. E, do ponto de vista nutricional, acaba sendo uma vantagem consumi-la com mais frequência do que outros itens. “De uma maneira indireta, você reduz a quantidade de calorias que poderia ingerir numa bebida, por exemplo, algo que nem sempre é computado ao pensar no valor energético das refeições”, explica Navarro.

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Industrializados vetados na despensa

“A maioria dos alimentos industrializados possuem carboidratos refinados como farinha e açúcar branco na composição, considerados alimentos de alto índice glicêmico, e com baixo teor de fibras, ou seja, quando são ingeridos estes alimentos são rapidamente absorvidos pelo organismo através da ativação de grande quantidade de insulina”, explica a nutricionista Paula. A desvantagem desse processo, além de evitar a quebra das gorduras, é que o organismo comece a ficar resistente a esse hormônio, e isso ocasione uma resistência à insulina, condição associada à pré-diabetes. Além disso, há a grande quantidade de compostos químicos presentes nesses produtos, como corantes, conservantes e estabilizantes, que em grandes quantidades intoxicam nosso corpo e podem causar alergias. Um detalhe importante: tudo isso vale não só para alimentos como para as bebidas também. “Sabemos que na sociedade em que vivemos é praticamente impossível abolir os industrializados do dia a dia e que também há produtos de ótima qualidade no mercado, mas também vale ponderar que o consumo em excesso pode ser nocivo ao organismo”, avalia o nutrólogo Roberto Navarro.

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Jejuar de vez em quando

Por fim, a Mark Sisson prega o jejum, provavelmente inspirado na dificuldade que os homens do Paleolítico tinham de encontrar comida todos os dias. O indicado na dieta é ficar de 16 até 24 horas sem ingerir nenhum alimento. Nesse ponto, ambos os especialistas consultados por nós discordam desse método. “O ideal é mantermos índices estáveis de glicose para o corpo ficar bem. O jejum prolongado pode causar hipoglicemia, dificuldade de concentração, perda de massa muscular, entre outros males”, lista Navarro. Normalmente nosso corpo tende a consumir os músculos para conseguir energia, o que causa ainda mais problemas para o organismo. “Temos como metabólitos finais da degradação muscular a formação de ácido úrico, ureia e amônia, compostos tóxicos ao organismo que podem levar a sobrecarga renal e hepática”, considera Paula. Portanto, a prática não é tão indicada, até porque se nossos ancestrais tivessem a oferta de alimentos que temos hoje, dá para apostar que eles não ficariam sem comer!

Fonte: http://www.minhavida.com.b

Sou Profissional em Marketing de Conteúdo e blogueiro.